Minha história com Quatro Barras não começa em livros nem em arquivos. Ela começa no chão, nos caminhos, na paisagem que molda o olhar e na convivência com as pessoas que deram forma a este território. Cresci aprendendo que esta cidade não se entende apenas pelo que está escrito, mas pelo que foi vivido — nas trilhas da serra, nas ruas, nas histórias contadas de geração em geração.
Quatro Barras sempre foi, para mim, um lugar de passagem e de permanência ao mesmo tempo. Um território atravessado por rotas antigas, por gente que chegou, que ficou, que trabalhou a terra, a pedra e a floresta. Com o tempo, compreendi que cada morro, cada estrada e cada construção guardam marcas de escolhas humanas, de esforço coletivo e de adaptação à natureza. Essa percepção despertou em mim o desejo de compreender mais profundamente o passado para dar sentido ao presente.
Minha trajetória profissional no turismo nasceu desse vínculo afetivo com o território. Trabalhar com turismo, aqui, nunca foi apenas mostrar paisagens, mas revelar histórias escondidas no relevo, nos caminhos e na memória local. Ao longo dos anos, vivi o turismo como ferramenta de escuta, de interpretação e de valorização cultural, conectando visitantes e moradores à essência de Quatro Barras.
Estudar a história do município passou a ser um gesto de cuidado. Pesquisar os ciclos econômicos, os antigos caminhos, o trabalho dos povos originários, dos colonizadores, dos tropeiros e dos trabalhadores que moldaram a cidade com as próprias mãos foi uma forma de reconhecer quem veio antes e entender como chegamos até aqui. A história deixou de ser distante e passou a caminhar ao meu lado, presente no cotidiano e na paisagem.
Hoje, essa trajetória entra em uma nova fase. Uma fase dedicada à criação de projetos voltados exclusivamente à história e à identidade de Quatro Barras, por meio de apresentações, materiais didáticos e palestras. São iniciativas pensadas para diferentes públicos, que unem pesquisa histórica, linguagem acessível e sensibilidade, com o objetivo de compartilhar conhecimento, despertar pertencimento e fortalecer a relação das pessoas com o lugar onde vivem ou que visitam.
Apresentar a história de Quatro Barras é, para mim, mais do que narrar fatos. É construir pontes entre o passado e o presente, entre o território e as pessoas. É traduzir processos históricos em narrativas vivas, capazes de emocionar, ensinar e provocar novos olhares. Cada apresentação é um convite para escutar a cidade, compreender seus silêncios e reconhecer o valor do que muitas vezes passa despercebido.
Minha experiência me permite conduzir esse percurso com profundidade, clareza e sensibilidade. Não falo de fora, nem à distância. Falo a partir de quem vive o território, caminha por ele, pesquisa sua história e acredita que conhecer o passado é uma das formas mais bonitas de cuidar do futuro.
Contar a história de Quatro Barras é, para mim, um ato de memória, pertencimento e compromisso. Um compromisso com a cidade, com sua gente e com tudo aquilo que precisa ser lembrado para continuar existindo.
As palestras da A Casa Montanha são encontros dedicados a contar, interpretar e valorizar a história de Quatro Barras a partir do território, da memória e das pessoas que o construíram. Mais do que exposições de fatos, são apresentações que conectam passado e presente, unindo pesquisa histórica, vivência local e linguagem acessível.
Os conteúdos são voltados para escolas, grupos comunitários, instituições públicas e privadas, eventos culturais e públicos interessados em conhecer a história do município de forma sensível, didática e contextualizada. As palestras podem ser acompanhadas de materiais didáticos e apresentações visuais, adaptadas a diferentes faixas etárias e objetivos.
O propósito é despertar pertencimento, fortalecer a identidade local e ampliar o olhar sobre Quatro Barras, mostrando que cada caminho, paisagem e construção carrega histórias que merecem ser conhecidas, preservadas e compartilhadas.